Tuesday, September 28, 2010

Uma história... (cont. 3)

Nahn sempre se quis convencer de que era um espirito livre, jovem e descontraído, de tal modo que afrontadamente se recusava a fazer o que quer que fosse como mandam as regras. Mas, o seu raciocinio e os motivos que encontrou para moldar a sua forma de estar na vida, tornaram-na uma pessoa irresponsável, inconsequente e inconsciente. Nunca se preocupou em pensar nas consequências que as suas atitudes e opções pudessem vir a ter, nunca se preocupou com o resultado dessas consequências (para si e para os outros) e, acima de tudo, nunca assumiu a responsabilidade desses actos e decisões, optando por descartar, para os outros e para a vida, a culpa dos acontecimentos. Era-lhe mais fácil encontrar nos outros, nas atitudes dos outros e nas decisões dos outros a razão de as coisas terem acontecido do que assumir os eventuais erros que pudesse ter cometido.
Nahn não nasceu em berço de ouro. Nahn não foi estragada pela abundância e, apesar de não ter passado dificuldades, as coisas não lhe foram facilitadas. Os bens materiais que conseguiu foram conquistados à custa de muito esforço, algum sacrificio e muito trabalho. Seria de esperar que, tendo obtido tudo isso literalmente à custa do seu próprio suor, valorizasse o que de bom a vida lhe proporcionou. Mas era cega...a constante preocupação em proteger-se do Mundo e dos outros cobriu-lhe os olhos e anestesiou-lhe o coração. Nahn vivia uma vida adormecida...

Monday, September 27, 2010

Uma história... (cont. 2)

Esse espinho doloroso, camuflado no seu íntimo, soterrado e escondido sob uma pilha de outras recordações bem mais felizes e suportáveis, fazia sentir a sua ponta aguçada sempre que Nahn tentava analisar-se a si ou a uma qualquer situação da sua vida. Não admitindo a dor lancinante que isto lhe provocava, constantemente se desculpava com o cansaço que fisicamente a deixava de rastos e que mentalmente a impedia de pensar sequer em coisas muito mais simples. Aceitar este espinho era reconhecer uma fraqueza e isso Nahn não podia admitir...afinal era especial, não podia ter pontos fracos. Como se cada um de nós não tivesse os seus...
E era por tudo isto que se recusava a resolver o que tivesse para resolver, enterrando sempre a cabeça na areia e esperando que as coisas passassem ou se resolvessem por si. Por muito que tenha visto que esta atitude apenas levava a que as situações assumam proporções bastante maiores, mais graves e mais sensiveis de se resolver, nunca aprendeu esta lição.
Outra justificação habitual era a vontade de proteger os outros, de não os querer magoar mas, bem vistas as coisas, o maior medo de Nahn era sair ela mesma magoada. Preferia mentir, omitir ou disfarçar a realidade do que confrontar-se com a verdade nua e crua. A menina que em tempos corria inocente pelos campos, acabou por trazer uma série de dissabores a quase todos os que se tentaram aproximar dela.
Outra faceta da sua personalidade era constantemente auto-convencer-se do seu altruísmo. Nahn caracterizava-se como uma pessoa exocêntrica, sempre preocupada (e em primeiro lugar) com o bem estar dos outros. Fazia, segundo os seus ideais, tudo por tudo não só para que os outros estivessem bem mas também para lhes evitar qualquer tipo de sofrimento. Sobretudo, o tipo de sofrimento que ela própria queria a todo o custo evitar a si mesma. Mas na realidade, esta intenção benemérita era incompatível com uma outra característica.

Sunday, September 26, 2010

Uma história... (cont.)

Com o tempo Nahn foi crescendo. O seu corpo foi-se transformando no de uma mulher adulta, mas o seu espírito manteve-se jovem e ansiosamente livre. As responsabilidades começaram a surgir, primeiro com os estudos, depois com o trabalho.
Ao longo da sua vida, Nahn nunca teve dificuldade em fazer amigos. Era uma pessoa social, de trato fácil e sempre pronta para a diversão. Não deixando de esquecer as suas obrigações, estava sempre pronta para uma boa festa ou para sair com os amigos. A maior dificuldade de Nahn não estava em estabelecer o contacto...mas sim em criar a ligação...
À excepção dos amigos de infância, nascidos na mesma aldeia, muito raras foram as pessoas a quem permitiu entrar no seu pequeno mundo. Nahn tinha uma extrema dificuldade em se envolver com as pessoas, em se entregar sem medos ou reservas a uma relação...fosse de que tipo fosse. Todos nós já, em uma vez ou outra, fomos magoados por pessoas de quem gostavamos. Mas Nahn sentia-se especial...Nahn cria-se frágil de mais para se deixar magoar. Muito embora as suas histórias passadas fossem semelhantes a tantas outras, iguais às nossas, Nahn achava que as suas próprias continham um sofrimento maior, e de longe muito mais intenso e insuportável. Sentia-se muito mais injustiçada do que qualquer outra pessoa e acreditava que isso lhe dava o direito de manter entre si e os outros uma distância fria que não permitisse qualquer aproximação ou envolvimento...dos outros ou seu. Frequentemente, justificava esta atitude com a falta de genuinidade e pureza que "detectava" nas pessoas que a rodeavam, que elas somente se aproximavam com algum interesse dissimulado, com malícia ou intenção de intriga.
Na verdade, algo no seu passado impedia-a de confrontar-se consigo própria, de se conhecer a si mesma, de identificar os seus medos e receios e de os enfrentar. Em algum ponto da sua vida, algo aconteceu que lhe deixou uma marca indelével que provavelmente a iria acompanhar até ao ultimo dos seus dias.

Wednesday, September 22, 2010

Uma história...

Nahn Asle era uma menina...que nunca tinha saído da aldeia onde nasceu. Era um sitio pequeno onde todos se conheciam, quase familiar. Todos sabiam de tudo, ajudavam-se mutuamente, conheciam as suas casas e as dos outros.
Nahn era feliz aqui. Além de conhecer os cantos e recantos, estradas e caminhos, montes e vales em redor da sua casa, tinha uma quase total liberdade para sair de casa de manhã e voltar só à noite, passando o dia a correr, a saltar e a brincar. A liberdade era quase total porque, num meio pequeno as pessoas tendem a ser bastante conservadoras, tradicionalistas e gostam que os outros habitantes tenham a melhor opinião sobre a sua familia. Desta forma, eram-lhe impostas algumas regras, nomeadamente sobre os horários das refeições, os locais onde não podia ir (mas onde ia na mesma) e acima de tudo sobre o recolher a casa antes do sol se pôr.
Era feliz...muito feliz até. Tinha um grupo grande de amigos, todos gozando da mesma liberdade e tendo que obedecer ás mesmas regras, mas acima de tudo gostavam todos de fazer as mesmas coisas.
Nahn gostava de pensar em si mesma como um espírito livre e para quem as regras não passavam de imposições sem sentido, próprias de um meio pequeno como aquele em que vivia mas completamente inadequadas a uma personalidade incompatível com limitações que não as que quisesse impôr a si mesma. Os pais tentaram educá-la sob os mesmos principios que haviam recebido, eventualmente amenizados pelas diferenças entre as duas épocas, de obediência e respeito pelos outros e pelos mais velhos. Mas o que Nahn gostava mesmo era de correr pelos campos sem a companhia do relógio nem das regras sociais.
Não se podia dizer, ou pelo menos não era fácil pensá-lo convictamente, que Nahn era uma menina egoísta ou mimada. Na verdade, os seus progenitores, apesar de extremosos e carinhosos, aplicavam a sua lei com rigor e, nalgumas ocasiões, com alguma dureza. Mas mais do que explicarem à filha a razão da existência de tais regras e porque motivo as consideravam necessárias, impunham-lhas pela simples razão de ter sido assim que aprenderam com os seus pais.
Mais do que incutir esses ideais, conseguiram que Nahn crescesse a implicar com regras e a ter uma atitude de desprezo sempre que se via confrontada com elas. Em alguns momentos, terá mesmo agido com uma revolta imatura que culminava numa desobediência consciente, voluntária e propositada.

(continua)

Tuesday, September 21, 2010

Era uma vez...

"Primeiro pensei que era por graça, depois percebi que não era defeito...era feitio. Como uma pedra inanimada completamente indiferente ao sol que lhe toca na face, ao frio que lhe corta os lábios, ao vento que lhe despenteia os cabelos, à alegria que lhe arrepia a pele, à tristeza que lhe inunda os olhos...simplesmente incapaz de sentir o que quer que seja."

Sunday, September 19, 2010

Ambiguidades

As palavras são vagas...tal como a água, desprovidas de cheiro e de sabor. São como o vento...não as vemos, mas empurram-nos.
Enchem-nos a cabeça, confundem-nos o pensamento e ofuscam-nos com o seu brilho esplendoroso. Sentimo-las? Talvez...mas como nós queremos e não como elas são. As palavras não têm personalidade, não têm vida própria...são moles e maleáveis como o barro e cada um molda-as a seu gosto.
Não se pode...não se deve confiar nas palavras...talvez por isso se diz que as leva o vento. Porque não têm raízes, porque não se mantém firmes, porque não têm carácter. Porque se combinam umas com as outras e, alterando a sua ordem, muda-se o seu significado.
Como se, ao mudarmos de roupa, mudássemos de personalidade...Não. Ao mudarmos de roupa, não mudamos de personalidade e ao mudarmos de palavras não mudamos de personalidade...mas podemos camuflá-la ou disfarçá-la.
Acreditemos antes nas atitudes...porque essas, na maior parte das vezes, provêem do nosso intimo, sem controlo, sem consciência, sem disfarces. Elas sim, as atitudes, são o reflexo do nosso carácter, dos nossos principios e da força que temos para lhes sermos fiéis.

Thursday, September 02, 2010

Imagina

Imagina uma casa...grande, com sala, cozinha e quartos...vários quartos. Imagina um terreno à volta dessa casa...grande, relvado, com uma árvore e flores...imagina uma cerca...branca, de madeira, a toda a volta...imagina um passeio....de cimento, depois dessa cerca...imagina uma estrada...de alcatrão, a seguir a esse passeio...tudo isto é a minha vida.
Há carros que passam na estrada,sem parar...uns mais devagar, outros tão depressa que nem os distingo. Alguns desses carros param defronte à casa e os seus condutores pedem-me para estacionar no passeio, pois não vão demorar. E eu deixo.
Pessoas passam a pé, junto à cerca. Eu saio de casa, atravesso o quintal e converso com elas. Das dúzias e dúzias de pessoas que aqui passam todos os dias, convido poucas a passar o portão e a ficar pelo quintal. Podem gozar do meu relvado, apreciar e cheirar as flores do meu jardim, descansar na sombra da minha árvore.
Muito poucas, muito poucas mesmo, são as que convido a entrar em minha casa...e pelos dedos de uma mão se contam as que convido a lá ficar.
Um dia, estava a janela, e vi uma menina no passeio. Tinha um ar triste e cansado, os pés descalços sujos de virem de rojo pelo chão.
Saí de casa, atravessei o quintal e cheguei-me à cerca...perguntei-lhe o que tinha..."Estou triste, só e cansada" - respondeu-me.
Abri-lhe o pequeno portão da cerca, estendi-lhe a mão e convidei-a a entrar. Limpei-a, escovei-lhe os cabelos e massajei-lhe os pés feridos. Vesti-a, dei-lhe de comer e de beber. Conversei com ela, ouvi-a, escutei-a. Levei-a para o andar de cima, a um dos quartos, com a cama grande e as almofadas fofas. Ofereci-lhe um pijama e providenciei para que nada lhe faltasse.
Quando se deitou, disse-lhe: "És bem-vinda, podes ficar o tempo que quiseres. Se precisares de alguma coisa, estás à vontade para te servir...se não encontrares, apenas tens que pedir...aqui, nada te faltará". Não esboçou qualquer expressão, apenas um olhar incrédulo. Encostei a porta e deixei-a no quarto mais confortável da casa...o meu. Desci as escadas e fui para a sala, sentei-me no sofá e deixei-me divagar com os meus pensamentos...e ali adormeci.
De manhã, acordei com o sol a incidir em cheio na minha cara...esfreguei os olhos, espreguicei-me e estiquei-me todo. Quando levantei o tronco e olhei à minha volta, não quis acreditar no que estava a ver...

(continua)

Tuesday, April 13, 2010

For a Walkabout

Há dias um amigo falou-me em ir para a Austrália. Mais do que falar-me, convidou-me. A ideia era largar tudo o que temos cá e partir, com uma mão à frente e outra atrás, sem projectos, propostas ou garantias. Simplesmente, deixar para trás tudo o que nos ligava à vida actual e começar uma nova. A lavar pratos, acartar baldes de cimento ou a engraxar sapatos, lá havíamos de nos safar.
Mais do que uma ideia louca, inconsciente ou adolescente, pareceu-me uma opção real e plausível. Não tanto pela ideia em si, mas por vir de quem veio, uma pessoa que, apesar de tudo, tenho como responsável e ponderada. O que me levou a crer que, mais do que um desabafo desalentado, era uma ideia que já fora profundamente analisada.
E eu, que gostando tanto de imprevistos e do incerto como gosto da segurança e do conhecido, dei por mim a ouvir aquelas palavras como as mais acertadas que já ouvira. Desde aí, fiquei a desejar ser suficientemente corajoso (ou irremediavelmente irresponsável) para, sem pensar duas vezes, me desfazer de tudo o que tenho, juntar esse dinheiro, meter-me num avião e ir para a Austrália.
Porque há momentos em que sinto que somente uma atitude tão radical me traria a mudança, que tanto quero, para a minha vida...

Friday, January 15, 2010

Mr. Rock & Roll :

So-called Mr Rock & Roll,
Is dancing on his own again,
Talking on his phone again,
To someone who tells him that his balance is low.
He’s got nowhere to go, he’s on his own again.

Rock Chick of the century,
Is acting like she used to be,
Dancing like there’s no-one there.
Before she never seemed to care,
Now she wouldn’t dare.
It’s so Rock & Roll to be alone.

And they’ll meet one day far away,
And say, ‘I wish I was something more.’
And they’ll meet one day far away,
And say, ‘I wish I knew you, I wish I knew you before.’

Mrs Black & White she’s never seen a shade of grey,
Always something on her mind,
Every single day.
But now she’s lost her way,
And where does she go from here?

Mr. Multicultural sees all that one can see,
He’s living proof of someone very different to me.
But now he wants to be free,
Free so he can see.

And they’ll meet one day far away,
And say, ‘I wish I was something more.’
And they’ll meet one day far away,
And say, ‘I wish I knew you, I wish I knew you before.’

He’ll say, ‘I wish I knew you
I wish I met you when time was still on my side.’
She’ll say, ‘I wish I knew you
I wish I loved you before I was his bride.’

And so they must depart,
Two many more broken hearts.
But I’ve seen that all before,
In T.V, books, and film and more.
And there’s a happy ending,
Every single day.

And they’ll meet one day far away,
And say, ‘I wish I was something more.’
And they’ll meet one day far away
And say, ‘I wish I knew you, I wish I knew you before


Amy Macdonald

Thursday, January 07, 2010

Stronger

I'll make it through the rainy days
I'll be the one who stands here longer than the rest
When my landscape changes, re-arranges
I'll be stronger than I've ever been
No more stillness, more sunlight
Everything's gonna be all right

I know that there's gonna be a change
Better find your way out of your fear
If you wanna come with me
Then that's the way it's gotta be

I'm all alone
And finally I'm getting stronger
You'll come to see
Just what I can be
I'm getting stronger

Sometimes I feel so down and out
Like emotion that's been captured in a maze
I had my ups and downs
Trials and tribulations
I overcome it day by day
Feeling good and almost powerful
A new me, that's what I'm looking for

I know that there's gonna be a change
Better find your way out of your fear
If you wanna come with me
Then that's the way it's gotta be

I'm all alone
And finally I'm getting stronger
You'll come to see
Just what I can be
I'm getting stronger

I didn't know what I had to do
I just knew I was alone
People around me but they didn't care
So I searched into my soul
I'm not the type of girl that will let them see her cry
It's not my style
I get by
See I'm gonna do this for me

I'm all alone
And finally I'm getting stronger
You'll come to see
Just what I can be
I'm getting stronger

I'm all alone
And finally I'm getting stronger
You'll come to see
Just what I can be
I'm getting stronger


Sugababes

Tuesday, January 05, 2010

Lisboa, 04 de Janeiro de 2010

Olá Shane

Conforme te prometi, aqui estou para te manter a par. Estive lá hoje. Fui procurar respostas ás questões que me voam na cabeça, e na verdade não sei bem o que encontrei. Nunca vi uma confusão como aquela. Estava tudo desarrumado, fora do sítio...moveis tombados, papeis espalhados por todo o lado, livros pelo chão.
Se não soubesse melhor, diria que alguém lá tinha estado antes de mim. Mas este é um filme que já vi. Vasculhei um pouco no meio daquele caos, tentando encontrar não sei bem o quê. Mesmo sabendo que o melhor é não ter ideias pré-concebidas, para não me induzir em erro e não procurar nos sítios errados, acabo sempre por criar alguma espécie de expectativa sobre o que irei encontrar.
Como te disse, a confusão que ali reina é enorme e diria que é quase impossível encontrar qualquer sinal, qualquer coisa que me dê uma pista, uma explicação para os acontecimentos que têm ocorrido. Não preciso de te voltar a falar nisso, pois já te contei o que aconteceu.
Não é suposto entendermos tudo o que acontece à nossa volta, mas a mim, que faço sempre questão de perceber como as coisas funcionam, é-me muito dificil simplesmente aceitá-las tal e qual como me são "dadas" sem tentar compreender o seu funcionamento, a sua razão de ser. E foi na esperança de encontrar essa luz que lá fui.
Na verdade se, na ausência de todos os factos, eu me sinto confundido, talvez até um bocadinho perdido, a completa desordem e desorganização sem sentido com que me deparei só poder ser mais desnorteante.
É como se entrasse numa floresta coberta por uma bruma densa, onde a luz do sol não chega, e tentasse manter-me num caminho praticamente invísivel. Se juntares a este cenário, uma enorme miopia mental, poderás ficar com um vislumbre do que senti. Como uma toupeira fora da familiaridade da sua toca.
Não sei porque pensei que lá iria encontrar alguma resposta ou mesmo uma minúscula ponta de novelo que pudesse desenrolar, mas senti esse apelo, de lá ir.
Não estou nem um pouco mais esclarecido, o que só me leva a pensar que talvez a melhor opção seja mesmo aceitar pura e simplesmente as coisas como elas são, sem tentar compreendê-las (pelo menos desta vez) para não desgastar inutilmente a pouca massa cinzenta com que fui brindado. Talvez o nosso cérebro não mereça o desgaste de tentar descodificar um mistério sem solução.
Repetidamente me têm ocorrido as seguintes palavras: "...and 'though the warrior shall be brave at all times in defending is honour and standing up for his dearest ones and the weakest, he must also be wise on understanding that maybe, just maybe, not all battles are meant to be fought...".
Continuarei a manter-te ao corrente dos acontecimentos.

Do teu amigo,

W

Wednesday, December 30, 2009

Lisboa, 26 de Dezembro de 2009

Olá Morgan

Como estás? Espero que bem...há tanto tempo que não tenho notícias tuas que nem consigo imaginar como está a tua vida. Calculo que já tenhas casado e pelo menos dois filhos...sempre foi assim que vi o teu futuro.
Tenho saudades de te ter por perto. O nosso entendimento sempre foi tão claro e fluído que nem precisava de te dizer as coisas. Talvez por isso me tenha lembrado de te escrever.
Uma pessoa amiga está no hospital, doente. Preciso de falar com alguém, desabafar e libertar-me um pouco deste ambiente pesado e nunca ninguém me ouviu melhor do que tu.
Está doente...do coração. Os médicos dizem que é uma hipertrofia do miocárdio. Descreveram-me o que se passava com uma série de termos técnicos, dos quais não fixei nem um décimo, mas a expressão que um deles usou ficou-me marcada na mente: "...o coração não tem força..."
Do pouco que pude entender, porque isto da Medicina nunca foi bem a minha área, o coração terá perdido a vontade de bater...está como que cansado, fatigado, exausto...algo que me faz confusão em alguém que viveu ainda tão pouco. Eu próprio tenho dias em que me sinto mais cansado, sem energia, mas sempre pensei que o coração era incansável, dono de uma vontade própria, e que bateria sempre com a mesma força, independentemente do nosso cansaço.
Dizem eles, os médicos, que as pessoas não são todas iguais e que, por isso, também há corações com mais vontade de bater do que outros. Custou-me acreditar no que estavam a dizer. Corações sem vontade de bater?!? Isso não faz sentido!
Com ou sem vontade de bater, faz-me confusão o seu corpo deitado na cama do hospital. Dói-me ver o seu olhar apático e distante, constantemente focado em coisa nenhuma, perdido. Parece-me mais que foi a cabeça que perdeu a vontade de viver.
Tenho pensado muito, tentando entender o que leva alguém a este estado de letargia, de falta de esperança, que faz com que o seu coração perca a vontade de bater. Lembro-me de ver o seu sorriso solto e livre, os olhos brilhantes e felizes, a conversa alegre. Lembro-me das brincadeiras constantes, das risadas, da animação. Sempre que estávamos juntos era festa na certa.
Quanto mais me lembro destas recordações, mais absurdo me parece o seu corpo inerte, num quarto branco asséptico, com fios que lhe medem a pulsação frágil e uns tubos transparentes pousados nas narinas. O ritmo pausado e lento do "cardiometer" parece desacelerar a minha própria pulsação...o meu próprio coração.
No meio de tudo, o que mais me custa é a minha total impotência perante a fraqueza do seu coração. Gostaria de, de alguma forma, fazer com que aquele coração voltasse a ter vontade de bater, de lhe poder devolver a vontade de viver, de o animar e entusiasmar!
Sempre me ouviste tão bem...

do teu amigo

W

P.S.: Uma carta tem a magia das palavras escritas à mão!

Monday, December 28, 2009

Resolutions, Revolutions...Evolution...

Esta é uma altura de resoluções. Na verdade é uma altura, ou um dia, tão bom como qualquer outro no ano, mas o que é facto é que é agora que sentimos a nossa vontade reforçada.
Muito provavelmente por olharmos para o calendário, para o ultimo dia do ano, e acreditarmos que um ciclo se encerra. Porque provavelmente precisamos desse incentivo mentalmente gráfico para reunirmos forças para acabar com o que nos incomoda e/ou prejudica , fazermos um "reset" em alguns pontos da nossa vida e escolhermos novos rumos, novos caminhos.
Ainda que não faça muito sentido esperarmos pelo ultimo dia do ano, ou acreditarmos que esta é uma boa justificação para melhorarmos a nossa condição de vida, a verdade é que isto acontece tradicionalmente a cada um de nós. E se isto é real, aproveitemos então o embalo para nos convencermos a limpar a casa, abrir as janelas e arejar todas as divisões das nossas "casas".
Também eu, no final de cada ano, acabo por fazer uma retrospectiva dos ultimos 12 meses e identificar as coisas boas e menos boas que aconteceram, eleger quais os pontos em que posso melhorar e quais as coisas a eliminar da minha vida e serem substituidas. Já comecei a fazer essa lista, já marquei alguns desses pontos e já escolhi algumas dessas coisas.
Ainda tenho alguns dias para terminar esta tarefa, tão importante e tão mais util quanto mais resoluções eu conseguir concretizar. E espero este ano, mais uma vez, conseguir cumprir com cada uma delas.

Sunday, December 13, 2009

Loucos, os que rimam sem falar, cantam sem ouvir e idealizam sem ver....chamam-lhes "os sonhadores"...

Tuesday, November 24, 2009

Quem sabe...

Já o conheço...
Cada flor encantada que o ladeia, cada árvore mágica que o abraça,
cada fada que o povoa, cada sonho que nele se respira...

Já o conheço...
Cada grão de areia que se pisa, cada pedra em que se tropeça,
cada montanha que tem que se subir, cada ponte que tem que se atravessar...

Já o conheço...
Cada fantasia que nos enfeitiça, cada promessa que nos faz,
cada arco-íris que nos mostra, cada sentimento que nos seduz...

Já o conheço...
Cada logro que nos traz, cada amargura que nos oferece
cada réstia que nos furta, cada gota de amor-próprio que nos leva...

Já o conheço...e bem...
E desta vez, quem sabe, não me apanha desprevenido...

Monday, November 23, 2009

The Greatest

Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

Melt me down
Into big black armour
Leave no trace of grace
Just in your honour
Lower me down
To culprit south
Make 'em wash a space in town
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain
Any feeling

Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

Cat Power

Sunday, November 22, 2009

Build

Clambering men in big bad boots
Dug up my den, dug up my roots
Treated us like plasticine town
They built us up and knocked us down
From Meccano to Legoland
Here they come with a brick in their hand
Men with heads filled up with sand
It's build

It's build a house where we can stay
Add a new bit everyday
It's build a road for us to cross
Build us lots and lots and lots and lots and lots

Whistling men in yellow vans
They can and drew us diagrams
Showed us how it all worked it out
And wrote it down in case of doubt

Slow, slow, quick, quick, quick
It's wall to wall and brick to brick
They work so fast it makes you sick
It's build

It's build a house where we can stay
Add a new bit everyday
It's build a road for us to cross
Build us lots and lots and lots and lots and lots

It's build

Down with sticks and up with bricks
In with boots and up with roots
It's in with suits and new recruits
It's build

Housemartins

Wednesday, November 18, 2009

The Truth

Be truthful...to your self above all, no matter how difficult it is to accept the truth. Always use impartiality in judgement, keep your eyes wide open, and live with a spearheaded spirit...

Remember, disappointment comes from your own expectations...have no expectations, get no disappointments...

Tuesday, November 10, 2009

Life

Sometimes, to get where you want, you must go through where you don't want to...but, hey, that's just the way life is...

Sunday, November 08, 2009

What else is there?

Frozen in fear
in the middle of the plain
just stood there, under the rain
not knowing what to do
In silence
quiet, not even blinking

Earing nothing
Simply staring in front
Like a small prey,
mesmerized lost eyes, immobile
seems to be waiting to be hunt

Not even a sound
can be heard,
but the one from the drops falling
and the leaves in the branches
pushed by the wind

Not even a sight
can be seen, in the dark
but the small sparkling glow on the iris
a reflection of the moon
on the twilight before the hour

And the lightning bolt
illuminated the evening stormy sky,
just flashed and struck
In a split second
raging through the air
bursting right down to the ground

Didn't even understood
or feel the numb warmness
rushing through the skin
just until it was
barely too late

Defenseless, or so he tought...