Debruçado sobre o parapeito do murete que separa a rua do rio, olho essa folha de plátano que vai deslizando na corrente. E em momentos penso na tranquilidade da sua vida, somente deixando-se viver, alimentada pela árvore onde vivia e cuja unica agitação que sofria era a do vento que a embalava à noite.
Penso no que observava do alto dos ramos, espreitando a rua cá embaixo, com os seus transeuntes. Imagino o que pensava sobre as conversas que ouvia das pessoas que se encostavam à àrvore, procurando descanso e sombra. Sonho os suspiros que deu por simplesmente só poder estar ali, assistindo a uma peça de teatro, não podendo nunca ser actriz. Lamento os segredos que quis contar e que sempre teve que conter por não ter voz. Choro os desejos que teve e que nunca satisfez. Compreendo a tristeza que sentiu e nunca pôde amenizar. Simpatizo com a monotonia da sua vida segura, que nunca a deixou voar e conhecer mundo, conhecer outras ruas, outras folhas.
Só me espanta por vezes sentir a vontade de ser como ela...de não ter quem a magoe, quem a entristeça, quem a faça sentir-se incómoda...quem a faça sentir-se infíma e irrisória...quem a faça sentir-se tão pouco importante e insignificante como um grão de areia no deserto...quem a faça sentir-se tão indiferenciada. É apenas mais uma folha na árvore.
Sunday, October 29, 2006
Friday, August 18, 2006
A Montanha
Na réstia do movimento
esmorece a vontade
de continuar a alimentar o espirito
com palavras ocas e disfarçadas
A cada passo
da íngreme subida
resvala o corpo cansado
deitado na berma da estrada
Cobre-se o céu de espessas nuvens escuras
que lentamente se amontoam sobre as árvores
augurando uma tempestade fria e cinzenta
antecedida pela neblina cerrada
Fecham-se as portas e as janelas desta velha cabana
esperando que a madeira antiga e o telhado de colmo
sirvam de abrigo da borrasca que se adivinha
buscando a sensação de protecção e conforto
a que a intempérie inesperadamente obriga
A coberto de uma manta de lã
na companhia do fogo de lenha ardente
abraçado no frio da noite
trancam-se portas e janelas, espreitando lá para fora
esmorece a vontade
de continuar a alimentar o espirito
com palavras ocas e disfarçadas
A cada passo
da íngreme subida
resvala o corpo cansado
deitado na berma da estrada
Cobre-se o céu de espessas nuvens escuras
que lentamente se amontoam sobre as árvores
augurando uma tempestade fria e cinzenta
antecedida pela neblina cerrada
Fecham-se as portas e as janelas desta velha cabana
esperando que a madeira antiga e o telhado de colmo
sirvam de abrigo da borrasca que se adivinha
buscando a sensação de protecção e conforto
a que a intempérie inesperadamente obriga
A coberto de uma manta de lã
na companhia do fogo de lenha ardente
abraçado no frio da noite
trancam-se portas e janelas, espreitando lá para fora
Thursday, August 03, 2006
Notícias
É com muita felicidade que tenho visto que, algumas das pessoas que me visitam habitualmente, se tem perguntado sobre a minha ausência. É, como já tenho dito algumas vezes, muito bom sentir que notam a nossa ausência.
O facto é que neste ultimo mês, a minha vida tem sofrido mudanças radicais que me têm impedido, inclusivamente, de escrever...e ainda mais de postar! Mudanças a vários niveis, que me têm ocupado o pensamento e dado muito pouca liberdade à imaginação e ao sonho, à ponderação e à expressão.
Gostaria, no entanto, de vos dizer que espero em breve conseguir estabelecer uma nova "rotina" na minha vida, que me permita voltar a postar e, mais importante ainda, que me permita voltar a visitar-vos com a frequência que vocês tanto merecem.
Para todos aqueles que gostam de me ouvir e a quem eu tanto gosto de ouvir também, mando muitos beijinhos e abraços e muito em breve (assim o espero) voltaremos a falar!!! Aos que estão de férias desejo também um óptimo descanso e relaxamento...aos que não estão...olhem, aguentem como puderem!
Beijinhos e abraços
O facto é que neste ultimo mês, a minha vida tem sofrido mudanças radicais que me têm impedido, inclusivamente, de escrever...e ainda mais de postar! Mudanças a vários niveis, que me têm ocupado o pensamento e dado muito pouca liberdade à imaginação e ao sonho, à ponderação e à expressão.
Gostaria, no entanto, de vos dizer que espero em breve conseguir estabelecer uma nova "rotina" na minha vida, que me permita voltar a postar e, mais importante ainda, que me permita voltar a visitar-vos com a frequência que vocês tanto merecem.
Para todos aqueles que gostam de me ouvir e a quem eu tanto gosto de ouvir também, mando muitos beijinhos e abraços e muito em breve (assim o espero) voltaremos a falar!!! Aos que estão de férias desejo também um óptimo descanso e relaxamento...aos que não estão...olhem, aguentem como puderem!
Beijinhos e abraços
Friday, July 14, 2006
Esticar a corda
É das piores coisas que podem fazer-me...testar-me. Tirarem-me as medidas. Eu diria que é das coisas mais irritantes, que mais facilmente me tiram do sério. Sobretudo porque me considero uma pessoa séria e sincera.
E o que mais me desagrada neste tipo de situações é precisamente a minha reacção. Porque aí perco o meu bom senso e toda a minha diplomacia e escouceio. Sei-o, conheço-me, e a consequência destes actos sobre mim é invariavelmente a mesma; torno-me uma besta, brutal, fria, calculista e vingativa. E não pago na mesma moeda...pago a dobrar.
Porque sou um livro aberto, porque jogo limpo com toda a gente, não admito que ponham a minha integridade em causa, que mexam comigo como se fosse um joguete, que estiquem a corda para ver de que lado ela vai partir...porque ela parte sempre do lado mais fraco.
E porque sei que, virado do avesso, não sou flor que se cheire, detesto sentir isto. Porque sei qual vai ser a reacção. Porque sei qual vai ser o resultado.
E o que mais me desagrada neste tipo de situações é precisamente a minha reacção. Porque aí perco o meu bom senso e toda a minha diplomacia e escouceio. Sei-o, conheço-me, e a consequência destes actos sobre mim é invariavelmente a mesma; torno-me uma besta, brutal, fria, calculista e vingativa. E não pago na mesma moeda...pago a dobrar.
Porque sou um livro aberto, porque jogo limpo com toda a gente, não admito que ponham a minha integridade em causa, que mexam comigo como se fosse um joguete, que estiquem a corda para ver de que lado ela vai partir...porque ela parte sempre do lado mais fraco.
E porque sei que, virado do avesso, não sou flor que se cheire, detesto sentir isto. Porque sei qual vai ser a reacção. Porque sei qual vai ser o resultado.
Wednesday, July 12, 2006
A Planta ou a metáfora para o crescimento de uma flor
Ofereceram-me um vaso com uma semente lá dentro. Quando cheguei a casa, pu-lo em cima da mesa da cozinha. Peguei na cafeteira, enchi-a de água e café e coloquei-a ao lume. Em poucos minutos, verti-a numa chávena e sentei-me a olhar para ele.
Achei que precisava e deitei-lhe água. Rodei-o para que apanhasse sol. Agarrei no livro e pus-me a ler, olhando de quando em quando aquele recipiente de barro, esperando que algo acontecesse. Sorvi um pouco de café fumegante e continuei a ler.
Não me disseram que semente estava no vaso, por isso não sei o que vai nascer dali. Tem terra, tem água, tem sol...é apenas isto que vem recomendado na etiqueta aposta na face lateral. Nenhuma outra informação nos é dada. Nem sobre que planta é, nem que cuidados devemos ter, nada...absolutamente nada.
Espreito outra vez. Ainda não há alterações. O que é certo é que já há muito que não tinha plantas de que cuidar. Não me recordo já do tempo que levam a brotar, crescer e eventualmente dar fruto. Nem de quanto em quanto tempo se deve mudar a terra. Aliás, quanto a esta nem sei se precisa ou deva mudá-la.
Vaso novo...
Achei que precisava e deitei-lhe água. Rodei-o para que apanhasse sol. Agarrei no livro e pus-me a ler, olhando de quando em quando aquele recipiente de barro, esperando que algo acontecesse. Sorvi um pouco de café fumegante e continuei a ler.
Não me disseram que semente estava no vaso, por isso não sei o que vai nascer dali. Tem terra, tem água, tem sol...é apenas isto que vem recomendado na etiqueta aposta na face lateral. Nenhuma outra informação nos é dada. Nem sobre que planta é, nem que cuidados devemos ter, nada...absolutamente nada.
Espreito outra vez. Ainda não há alterações. O que é certo é que já há muito que não tinha plantas de que cuidar. Não me recordo já do tempo que levam a brotar, crescer e eventualmente dar fruto. Nem de quanto em quanto tempo se deve mudar a terra. Aliás, quanto a esta nem sei se precisa ou deva mudá-la.
Vaso novo...
Tuesday, July 04, 2006
Conclusões Invulgares #1
Ao aterrar, espreito pela janela e vejo este novo mundo. A opção que tomei de começar de novo e tentar mais uma vez faz parte da minha bagagem, forrada com os autocolantes das companhias aéres e marítimas em que viajei.
Este é um aeroporto novo para mim. Uma nova cidade, para uma nova tentativa de recomeço. Mesmo depois de tantos logros as expectativas continuam altas...como sempre. À semelhança do que fazemos a cada novo ano, tomam-se resoluções: para acabar com maus hábitos, vícios, arrumar questões, resolver problemas e prometemos a nós próprios que iremos esforçar-nos por sermos melhores seres humanos.
Inevitavelmente, esperamos que estes recomeços nos tragam a motivação e a inspiração para o fazer. Pelo meu lado, tento imaginar-me sem essas características menos boas e no regozijo que será, mais adiante, olhar o meu passado e ver como consegui tornar-me numa melhor pessoa. Porque me é mais fácil fazê-lo pelos outros ou pelas coisas do que por mim próprio. Porque me é mais fácil fazê-lo em troca de uma promessa de que algo bom irá acontecer. E agora, que mais uma vez acredito ter essa fonte de inspiração, vou tentar começar de novo.
O mais difícil vai ser não me esquecer.
Este é um aeroporto novo para mim. Uma nova cidade, para uma nova tentativa de recomeço. Mesmo depois de tantos logros as expectativas continuam altas...como sempre. À semelhança do que fazemos a cada novo ano, tomam-se resoluções: para acabar com maus hábitos, vícios, arrumar questões, resolver problemas e prometemos a nós próprios que iremos esforçar-nos por sermos melhores seres humanos.
Inevitavelmente, esperamos que estes recomeços nos tragam a motivação e a inspiração para o fazer. Pelo meu lado, tento imaginar-me sem essas características menos boas e no regozijo que será, mais adiante, olhar o meu passado e ver como consegui tornar-me numa melhor pessoa. Porque me é mais fácil fazê-lo pelos outros ou pelas coisas do que por mim próprio. Porque me é mais fácil fazê-lo em troca de uma promessa de que algo bom irá acontecer. E agora, que mais uma vez acredito ter essa fonte de inspiração, vou tentar começar de novo.
O mais difícil vai ser não me esquecer.
Monday, July 03, 2006
Latitude 0º
Temperatura: 28ºC Humidade no ar: 95%
Céu limpo, sem nuvens, sem vento
Começam a cair em pingas finas. Vêm escorrendo lá de cima, abraçando-nos. São cada vez mais, e de um nada tornam-se um tudo, assim de repente.
É quando menos se espera que aparecem, muitas vezes apanhando-nos desprevenidos e alagam tudo. De um momento para outro mudam a paisagem, trazem-nos um mundo novo. Viçoso, pleno de vida, borbulhando aqui e ali...de todo o lado brotam coisas novas, renascem plantas antigas e como que todo aquele quadro se apresenta lavado e vestido de maneira diferente.
É o cheiro a terra molhada, e o ar mais fresco. É todo o pó que recolhe ao chão. É todo um verde que agora predomina.
São assim as chuvas na latitude 0º...
Céu limpo, sem nuvens, sem vento
Começam a cair em pingas finas. Vêm escorrendo lá de cima, abraçando-nos. São cada vez mais, e de um nada tornam-se um tudo, assim de repente.
É quando menos se espera que aparecem, muitas vezes apanhando-nos desprevenidos e alagam tudo. De um momento para outro mudam a paisagem, trazem-nos um mundo novo. Viçoso, pleno de vida, borbulhando aqui e ali...de todo o lado brotam coisas novas, renascem plantas antigas e como que todo aquele quadro se apresenta lavado e vestido de maneira diferente.
É o cheiro a terra molhada, e o ar mais fresco. É todo o pó que recolhe ao chão. É todo um verde que agora predomina.
São assim as chuvas na latitude 0º...
Tuesday, June 27, 2006
A quem possa interessar
Porque tenho a noção de que a dureza das minhas palavras poderá ter produzido em algumas das pessoas que me lêem, sobretudo as que me conhecem menos bem, uma ideia errónea quero esclarecer uma ou outra questão que levantei no meu post anterior.
Em primero lugar, quero pedir a todas quantas se possam ter sentido ofendidas com a afirmação de que não acredito em mulheres inocentes. Na verdade, eu ainda acredito que há muita gente boa no mundo...acredito mesmo. De tal modo, que a minha atitude em geral é a de depositar confiança nas pessoas até prova em contrário.
Em segundo, gostaria que entendessem que foi de facto um desabafo o que escrevi no post e que, como tal, ele reflecte o pensamento tido numa determinada situação mas, mais grave, um pensamento envolvido pelo calor do momento.
Em terceiro, gostaria de pedir desculpa à pessoa a quem este post se refere. Porque agora, de cabeça fria, vejo que talvez não existam motivos para tanto alarde da minha parte. Por outro, porque ninguém é totalmente inocente, pelo que me pergunto a mim próprio quem sou eu para atirar a primeira pedra...não quero com isto minimizar o que se passou, nem negar que eventualmente possam existir segundas intenções nas suas atitudes e comportamentos, mas por uma questão de coerência...será inocente até prova em contrário.
Em primero lugar, quero pedir a todas quantas se possam ter sentido ofendidas com a afirmação de que não acredito em mulheres inocentes. Na verdade, eu ainda acredito que há muita gente boa no mundo...acredito mesmo. De tal modo, que a minha atitude em geral é a de depositar confiança nas pessoas até prova em contrário.
Em segundo, gostaria que entendessem que foi de facto um desabafo o que escrevi no post e que, como tal, ele reflecte o pensamento tido numa determinada situação mas, mais grave, um pensamento envolvido pelo calor do momento.
Em terceiro, gostaria de pedir desculpa à pessoa a quem este post se refere. Porque agora, de cabeça fria, vejo que talvez não existam motivos para tanto alarde da minha parte. Por outro, porque ninguém é totalmente inocente, pelo que me pergunto a mim próprio quem sou eu para atirar a primeira pedra...não quero com isto minimizar o que se passou, nem negar que eventualmente possam existir segundas intenções nas suas atitudes e comportamentos, mas por uma questão de coerência...será inocente até prova em contrário.
A Tua Sombra
Ainda sob o efeito inebriante do perfume da tua voz, peço-te que me deixes. Afasta-te por favor. Não vês o mal que me fazes? Serás assim tão insensível? Precisamente quando me estou a sentir bem vens com essas histórias de vir comigo...sabes bem que sou incapaz de te dizer que não...como não o diria a qualquer outra pessoa que mo pedisse.
Sinceramente, nem sei se o que me custa mais é estar sem ti ou estar contigo! Porque continuas a insistir nessa atitude dúbia e porque me custa tanto acreditar na tua inocência como na tua culpa. Porque pareces teimar em manter-me ali, no limbo, na expectativa. A verdade é que também não acredito em mulheres inocentes. E quanto mais o parecem mais sinto que devo duvidar.
Não te darás conta da crueldade a que me submetes? Conseguirei eu passar-te uma imagem de ser tão inexpugnável e inabalável? Caramba...a verdade é que me magoas, ainda que sem intenção, magoas-me. E por isso te peço que vás de uma vez...já percebi que não queres ficar...não como eu quero, e por isso o melhor é ires de uma vez. Não penses que o digo assim da boca para fora. Mas vai por favor.
Sinceramente, nem sei se o que me custa mais é estar sem ti ou estar contigo! Porque continuas a insistir nessa atitude dúbia e porque me custa tanto acreditar na tua inocência como na tua culpa. Porque pareces teimar em manter-me ali, no limbo, na expectativa. A verdade é que também não acredito em mulheres inocentes. E quanto mais o parecem mais sinto que devo duvidar.
Não te darás conta da crueldade a que me submetes? Conseguirei eu passar-te uma imagem de ser tão inexpugnável e inabalável? Caramba...a verdade é que me magoas, ainda que sem intenção, magoas-me. E por isso te peço que vás de uma vez...já percebi que não queres ficar...não como eu quero, e por isso o melhor é ires de uma vez. Não penses que o digo assim da boca para fora. Mas vai por favor.
Monday, June 26, 2006
Tela
E tu linda bailarina
que insistentemente
procuras acompanhar-me
em mais uma dança
Quem, sempre que convido
não encontro escusa ou recusa
Somente um olhar contido
trazendo um sorriso de criança
Fazes-me sentir experimentado
parecendo teres vontade de me conhecer
Não terás tu a coragem
de me perguntar o que quiseres saber?
Saberás quando me esgotarei
se continuares a drenar-me a minha afeição?
Saberei que, ainda que de forma desinteressada,
em ti sinto alguma intenção?
Quando me olhas, falas ou ouves
esperas de mim a resposta
Tentas instigar-me ao impulso
sempre que me provocas
Cuidado...cuida-te, cuida-me
desta vez não quero sair magoado
ferido ou injuriado
Por isso me reservei
que insistentemente
procuras acompanhar-me
em mais uma dança
Quem, sempre que convido
não encontro escusa ou recusa
Somente um olhar contido
trazendo um sorriso de criança
Fazes-me sentir experimentado
parecendo teres vontade de me conhecer
Não terás tu a coragem
de me perguntar o que quiseres saber?
Saberás quando me esgotarei
se continuares a drenar-me a minha afeição?
Saberei que, ainda que de forma desinteressada,
em ti sinto alguma intenção?
Quando me olhas, falas ou ouves
esperas de mim a resposta
Tentas instigar-me ao impulso
sempre que me provocas
Cuidado...cuida-te, cuida-me
desta vez não quero sair magoado
ferido ou injuriado
Por isso me reservei
Sunday, June 25, 2006
Fruto prohibido
Y eres tu
un poder oscuro
la dueña de mis deseos más carnales
Ensejos animales
por una mujer de negro
Te oígo
hablando-me al oído
Palabras de hechizo
ruido de felino
La distancia se quiera corta
Quisiera encontrar la senda
que me lleva a ti
como una magia que nos ayuntará
Soy culpable de traición
a un amor intentado
por mil veces un sospiro
pero que no hay sido saciado
Jamás te he pedido a Diós
y te he encontrado
Ahora te quiero lasciva
y tu cuerpo desnudado
un poder oscuro
la dueña de mis deseos más carnales
Ensejos animales
por una mujer de negro
Te oígo
hablando-me al oído
Palabras de hechizo
ruido de felino
La distancia se quiera corta
Quisiera encontrar la senda
que me lleva a ti
como una magia que nos ayuntará
Soy culpable de traición
a un amor intentado
por mil veces un sospiro
pero que no hay sido saciado
Jamás te he pedido a Diós
y te he encontrado
Ahora te quiero lasciva
y tu cuerpo desnudado
Thursday, June 22, 2006
Sem sentido
Quanto fosse o que fizesse
O que trouxe e o que dissesse
Tudo ouvisse e onde estivesse
O que vestisse e o que contivesse
Nada arde no que se consome
Nem acordada nem quando dorme
Quando andasse ou quando corresse
Talvez parasse ou um dia desaparecesse
O que foi, o que é, o que será
Não sabe onde esteve, não sabe onde está
O que tem agora, o que mais desejará
Pelo dia fora, à noite chegará
Quem sabe, o que quis e o que não teve
Se sente o que diz e faz o que deve
Olha para trás e sente a saudade
Vira-se à frente e vive a ansiedade
E assim vai parando
Cega no caminho
o passo estacando
Embriagada, devagarinho
Ignorando lo sendero
lo guardando en el olvido
Nadie encontrando
Creendo que todo está perdido
Com o sol no horizonte
O que trouxe e o que dissesse
Tudo ouvisse e onde estivesse
O que vestisse e o que contivesse
Nada arde no que se consome
Nem acordada nem quando dorme
Quando andasse ou quando corresse
Talvez parasse ou um dia desaparecesse
O que foi, o que é, o que será
Não sabe onde esteve, não sabe onde está
O que tem agora, o que mais desejará
Pelo dia fora, à noite chegará
Quem sabe, o que quis e o que não teve
Se sente o que diz e faz o que deve
Olha para trás e sente a saudade
Vira-se à frente e vive a ansiedade
E assim vai parando
Cega no caminho
o passo estacando
Embriagada, devagarinho
Ignorando lo sendero
lo guardando en el olvido
Nadie encontrando
Creendo que todo está perdido
Com o sol no horizonte
Wednesday, June 21, 2006
O Sirio
No escuro da noite, soa o troar do trovão
o relâmpago ilumina o céu
Vê-se a estrada escura que se estende ao horizonte
as sombras que nela se deitam
Ao longe distingue-se,
nitidamente,
a silhueta esparsa do profeta
movendo-se sob a chuva
Era eu naquele caminho
mas tu não me viste
Nem mesmo quando o clarão
incendiou o breu
Olhaste, com o cabelo a escorrer água
e os braços caídos e a roupa encharcada
e os dentes a ranger de frio
e os olhos tristes, lavados em lágrimas
E não acreditando
voltaste-te e foste embora,
continuando sob a tempestade,
cabisbaixa
Continuaste caminhando
na certeza de que não viras
o que esperavas
nessa tua expectativa
o relâmpago ilumina o céu
Vê-se a estrada escura que se estende ao horizonte
as sombras que nela se deitam
Ao longe distingue-se,
nitidamente,
a silhueta esparsa do profeta
movendo-se sob a chuva
Era eu naquele caminho
mas tu não me viste
Nem mesmo quando o clarão
incendiou o breu
Olhaste, com o cabelo a escorrer água
e os braços caídos e a roupa encharcada
e os dentes a ranger de frio
e os olhos tristes, lavados em lágrimas
E não acreditando
voltaste-te e foste embora,
continuando sob a tempestade,
cabisbaixa
Continuaste caminhando
na certeza de que não viras
o que esperavas
nessa tua expectativa
Tuesday, June 13, 2006
Só o tempo não pára...
Adormece a caneta deitada no caderno
a tinta descansa sobre a página em branco
A vida parou...
Vocês imobilizaram-se
Reteve-se o movimento
É um retrato
perdido no tempo
a preto e branco
A lágrima não corre
o sorriso não se esboça
da mente não escorre
nem da terra brota
um pensamento só
O olho não vislumbra
sinal de ti
E só o tempo não pára
a tinta descansa sobre a página em branco
A vida parou...
Vocês imobilizaram-se
Reteve-se o movimento
É um retrato
perdido no tempo
a preto e branco
A lágrima não corre
o sorriso não se esboça
da mente não escorre
nem da terra brota
um pensamento só
O olho não vislumbra
sinal de ti
E só o tempo não pára
Friday, May 19, 2006
Se um dia conseguires...
Serias capaz de olhar para mim e ler nos meus olhos a sinceridade do que te digo? Porque não falo pela boca, dos meus lábios não saem sons para te adoçar os ouvidos. Porque não é para ti que falo, nem por ti, mas é por nós que sonho.
Serias capaz de encostar a tua cabeça ao meu peito e escutar o que calo? Porque é aqui que aprisiono a fera brutal que somente soltarei quando me sussurrares o sentimento. Porque é aqui que represo a água das chuvas que inundaram o meu mundo.
Serias capaz de me dar a mão, fechar os olhos e sentir o meu ser? Porque é isso que desejo, é isso que aguardo pacientemente. Porque acredito que serás capaz, um dia que o queiras...porque sei o quanto és igual a mim e o que de diferente temos.
Serás um dia capaz de ler estas palavras e acreditar em mim?
Serias capaz de encostar a tua cabeça ao meu peito e escutar o que calo? Porque é aqui que aprisiono a fera brutal que somente soltarei quando me sussurrares o sentimento. Porque é aqui que represo a água das chuvas que inundaram o meu mundo.
Serias capaz de me dar a mão, fechar os olhos e sentir o meu ser? Porque é isso que desejo, é isso que aguardo pacientemente. Porque acredito que serás capaz, um dia que o queiras...porque sei o quanto és igual a mim e o que de diferente temos.
Serás um dia capaz de ler estas palavras e acreditar em mim?
Thursday, May 18, 2006
São...
São Anjos incandescentes que vejo cair do céu
São centauros e faunos que vejo correr à volta de Orion
São hiatos de tempo que vejo encolhidos nas tuas mãos
São efémeras luminescentes que vejo no manto escuro da noite
São Minotauros que vejo escondidos no labirinto dos teus jardins
São cometas fulgentes que vejo orbitar em torno da Lua
São os aneis de Jupiter que vejo adornar Io
São feixes de luz de todas as cores que vejo iluminar o espaço infinito
São harpas etéreas que ouço cantar aos meus ouvidos
São centauros e faunos que vejo correr à volta de Orion
São hiatos de tempo que vejo encolhidos nas tuas mãos
São efémeras luminescentes que vejo no manto escuro da noite
São Minotauros que vejo escondidos no labirinto dos teus jardins
São cometas fulgentes que vejo orbitar em torno da Lua
São os aneis de Jupiter que vejo adornar Io
São feixes de luz de todas as cores que vejo iluminar o espaço infinito
São harpas etéreas que ouço cantar aos meus ouvidos
Tuesday, May 16, 2006
What is your life path number?
| Your Life Path Number is 8 |
Your purpose in life is to help others succeed You are both a natural leader and a natural success. You are also a great judge of character. You have a head for business and finance. You know how to make money. A great visionary, you can see gold where other people see nothing. In love, you are very generous - with gifts, time, and guidance. You love to inspire people, but it can be frustrating when they don't understand your vision. Great success comes easily for you. But so does great failure, as you are very reckless. You are confident, and sometimes this confidence borders on arrogance. |
Saturday, May 13, 2006
Homenagem aos Mamonas Assassinas e talvez a melhor musica dedicada a uma mulher que já ouvi
Uma Arlinda Mulher
(Dinho / Bento Hinoto)
Te encontrei toda remelenta e estronchada,
Num bar entregue às bebida.
Te cortei os cabelos do sovaco e as unhas do pé
Te chamei de querida
Te ensinei todos os auto-reverse da vida
E o movimento de translação que faz a terra girar
Te falei que o importante é competir,
Mas te mato de pancada se você não ganhar.
(Refrão)
Você foi agora a coisa mais importante
Que já me aconteceu neste momento, em toda a minha vida
Um paradoxo do pretérito imperfeito,
Complexo com a teoria da relatividade
Num momento crucial, um sábio soube saber
Que o sabiá sabia assobiar
E quem amafagafar os mafagafinhos bom amafagafigador será.
Te falei que os pediatra é o doutor responsável pela saúde dos pé
O "zoísta" cuida dos "zóio" e os oculista, Deus me livre, nunca vão mexer no meu
Pois pra mim você é uma besta mitológica com cabelo pixaim parecida com a Medusa
Eu disse isso pra rimar com a soma dos quadrados dos catetos é igual à porra da hipotenusa
(Repete Refrão)
Eu fundei a Associaçäo Internacional de Proteção às Borboletas doAfeganistão
Te provei por B mais C que a menina dos teus "zóio" não tem menstruação
Dar um prato de trigo pra dois tigres e ver os bichos brigando é legal que só
Pois nos "tira e põe", deixa ficar da vida serei sempre seu escravo-de-Jó
(Dinho / Bento Hinoto)
Te encontrei toda remelenta e estronchada,
Num bar entregue às bebida.
Te cortei os cabelos do sovaco e as unhas do pé
Te chamei de querida
Te ensinei todos os auto-reverse da vida
E o movimento de translação que faz a terra girar
Te falei que o importante é competir,
Mas te mato de pancada se você não ganhar.
(Refrão)
Você foi agora a coisa mais importante
Que já me aconteceu neste momento, em toda a minha vida
Um paradoxo do pretérito imperfeito,
Complexo com a teoria da relatividade
Num momento crucial, um sábio soube saber
Que o sabiá sabia assobiar
E quem amafagafar os mafagafinhos bom amafagafigador será.
Te falei que os pediatra é o doutor responsável pela saúde dos pé
O "zoísta" cuida dos "zóio" e os oculista, Deus me livre, nunca vão mexer no meu
Pois pra mim você é uma besta mitológica com cabelo pixaim parecida com a Medusa
Eu disse isso pra rimar com a soma dos quadrados dos catetos é igual à porra da hipotenusa
(Repete Refrão)
Eu fundei a Associaçäo Internacional de Proteção às Borboletas doAfeganistão
Te provei por B mais C que a menina dos teus "zóio" não tem menstruação
Dar um prato de trigo pra dois tigres e ver os bichos brigando é legal que só
Pois nos "tira e põe", deixa ficar da vida serei sempre seu escravo-de-Jó
Tuesday, May 09, 2006
Estação: Limiar do Tempo
Oiço ao longe o comboio que se aproxima lentamente.
Vejo uma traça que esvoaça hipnotizada pela luz bruxuleante do candeeiro. O relógio da estação está parado. Do gabinete sai fardado o funcionário da Companhia dos Caminhos de Ferro, trazendo na mão a bandeira com que assinala partidas e chegadas.
Aproximam-se os paquetes com os carrinhos de bagagem prontos a carregar, as rodas chiando. Trocam meia dúzia de palavras sobre o que cada um vai fazer no final do turno, que está a chegar.
Um provável passageiro, senhor de porte altivo e fato de seda escuro, acende um cigarro enquanto faz uma pausa na leitura do jornal para observar a movimentação que se gerou. Solta uma baforada de fumo e displicentemente retoma a sua leitura.
Sentada no banco de madeira, encostado à parede, está uma senhora de aspecto discreto. Traz vestido um casaco de fino tecido, por cima de uma blusa branca. A saia xadrez cobre-lhe os joelhos. Uma écharpe na cabeça compõe o traje e protege-a do fresco da noite. A mala que está junto a si indicia que é uma passageira.
À chegada do comboio, o cavalheiro do fato de seda dobra rápida e habilidosamente o jornal, perfeitamente vincado, enfiando-o debaixo do braço. A senhora levanta-se do banco e, enquanto um dos paquetes se apressa a carregar-lhe a mala, aproxima-se da linha. Aparenta um misto de nervosismo e ansiedade, não se conseguindo perceber se se deve a uma tristeza pela partida ou à expectativa da viagem.
O fumo espesso expelido pela locomotiva encobre o céu e o cheiro a lenha queimada embrenha-se no ar. O comboio vai abrandando a sua marcha até se imobilizar à minha frente.
O cavalheiro do fato e a senhora do casaco de fino tecido embarcam, cada um em sua porta. Um senhor de cabelos brancos e bigode aparado encaminha-os aos respectivos lugares. Os paquetes carregam a bagagem no vagão lá do fundo.
Uma a uma, vou espreitando as janelas do comboio, olhando para o seu interior. Não encontro. Olho para o bilhete que tenho na mão...olho para o relógio cujos ponteiros se detiveram numa lânguida pausa e que dela não sairam. Tenho breves instantes para decidir se embarco...
Vejo uma traça que esvoaça hipnotizada pela luz bruxuleante do candeeiro. O relógio da estação está parado. Do gabinete sai fardado o funcionário da Companhia dos Caminhos de Ferro, trazendo na mão a bandeira com que assinala partidas e chegadas.
Aproximam-se os paquetes com os carrinhos de bagagem prontos a carregar, as rodas chiando. Trocam meia dúzia de palavras sobre o que cada um vai fazer no final do turno, que está a chegar.
Um provável passageiro, senhor de porte altivo e fato de seda escuro, acende um cigarro enquanto faz uma pausa na leitura do jornal para observar a movimentação que se gerou. Solta uma baforada de fumo e displicentemente retoma a sua leitura.
Sentada no banco de madeira, encostado à parede, está uma senhora de aspecto discreto. Traz vestido um casaco de fino tecido, por cima de uma blusa branca. A saia xadrez cobre-lhe os joelhos. Uma écharpe na cabeça compõe o traje e protege-a do fresco da noite. A mala que está junto a si indicia que é uma passageira.
À chegada do comboio, o cavalheiro do fato de seda dobra rápida e habilidosamente o jornal, perfeitamente vincado, enfiando-o debaixo do braço. A senhora levanta-se do banco e, enquanto um dos paquetes se apressa a carregar-lhe a mala, aproxima-se da linha. Aparenta um misto de nervosismo e ansiedade, não se conseguindo perceber se se deve a uma tristeza pela partida ou à expectativa da viagem.
O fumo espesso expelido pela locomotiva encobre o céu e o cheiro a lenha queimada embrenha-se no ar. O comboio vai abrandando a sua marcha até se imobilizar à minha frente.
O cavalheiro do fato e a senhora do casaco de fino tecido embarcam, cada um em sua porta. Um senhor de cabelos brancos e bigode aparado encaminha-os aos respectivos lugares. Os paquetes carregam a bagagem no vagão lá do fundo.
Uma a uma, vou espreitando as janelas do comboio, olhando para o seu interior. Não encontro. Olho para o bilhete que tenho na mão...olho para o relógio cujos ponteiros se detiveram numa lânguida pausa e que dela não sairam. Tenho breves instantes para decidir se embarco...
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